{"id":6870,"date":"2026-01-30T17:55:49","date_gmt":"2026-01-30T20:55:49","guid":{"rendered":"https:\/\/lastravaganza.com.br\/?p=6870"},"modified":"2026-02-23T21:28:43","modified_gmt":"2026-02-24T00:28:43","slug":"remedios-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lastravaganza.com.br\/?p=6870","title":{"rendered":"Rem\u00e9dios no rio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por Edison Barbieri<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Professor Dr. Edison Barbieri. Instituto de Pesca-Governo do Esta do de S\u00e3o Paulo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando pensamos em polui\u00e7\u00e3o dos rios, imagens de esgoto, lixo pl\u00e1stico e res\u00edduos industriais v\u00eam imediatamente \u00e0 mente. Mas h\u00e1 um tipo de contamina\u00e7\u00e3o silenciosa, invis\u00edvel a olho nu e cada vez mais preocupante para a ci\u00eancia: a polui\u00e7\u00e3o farmac\u00eautica. Antibi\u00f3ticos, horm\u00f4nios e medicamentos psiqui\u00e1tricos est\u00e3o sendo encontrados com frequ\u00eancia em rios e lagos ao redor do mundo, inclusive na Europa, e seus efeitos v\u00e3o muito al\u00e9m do que se imaginava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses compostos, chamados de ingredientes farmac\u00eauticos ativos, chegam aos ambientes aqu\u00e1ticos principalmente pela excre\u00e7\u00e3o humana e animal, pelo descarte inadequado de medicamentos e pela incapacidade das esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto de remov\u00ea-los completamente. Mesmo detectados em quantidades \u00ednfimas, da ordem de bilion\u00e9simos de grama, esses compostos mant\u00eam sua atividade biol\u00f3gica e s\u00e3o capazes de provocar interfer\u00eancias profundas nos organismos e nos processos ecol\u00f3gicos dos ambientes aqu\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"705\" height=\"506\" src=\"http:\/\/lastravaganza.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/poluicao-plastico.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6871\" srcset=\"https:\/\/lastravaganza.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/poluicao-plastico.jpg 705w, https:\/\/lastravaganza.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/poluicao-plastico-300x215.jpg 300w, https:\/\/lastravaganza.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/poluicao-plastico-550x395.jpg 550w\" sizes=\"(max-width: 705px) 100vw, 705px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>De casa para o rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Grande parte dos medicamentos consumidos diariamente n\u00e3o \u00e9 totalmente metabolizada pelo organismo. O que sobra segue pelo esgoto dom\u00e9stico at\u00e9 esta\u00e7\u00f5es de tratamento que, em sua maioria, foram projetadas para remover mat\u00e9ria org\u00e2nica e microrganismos, n\u00e3o mol\u00e9culas farmac\u00eauticas complexas. O resultado \u00e9 previs\u00edvel: uma fra\u00e7\u00e3o significativa desses compostos passa intacta pelos sistemas de tratamento e acaba nos rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A esse fluxo somam-se as descargas industriais da ind\u00fastria farmac\u00eautica e o uso intensivo de antibi\u00f3ticos e horm\u00f4nios na produ\u00e7\u00e3o animal. O problema n\u00e3o \u00e9 apenas a quantidade, mas a persist\u00eancia. Muitos desses compostos resistem \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o qu\u00edmica e biol\u00f3gica, permanecendo por longos per\u00edodos no ambiente e expondo continuamente peixes, invertebrados e microrganismos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"974\" height=\"649\" src=\"https:\/\/lastravaganza.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lico-remedios-nos-rios2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6872\" srcset=\"https:\/\/lastravaganza.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lico-remedios-nos-rios2.jpg 974w, https:\/\/lastravaganza.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lico-remedios-nos-rios2-300x200.jpg 300w, https:\/\/lastravaganza.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lico-remedios-nos-rios2-768x512.jpg 768w, https:\/\/lastravaganza.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lico-remedios-nos-rios2-550x366.jpg 550w\" sizes=\"(max-width: 974px) 100vw, 974px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Antibi\u00f3ticos: quando o rio vira laborat\u00f3rio evolutivo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os contaminantes que mais preocupam os pesquisadores est\u00e3o os antibi\u00f3ticos. Estimativas globais apontam que cerca de 8.500 toneladas de medicamentos de uso humano chegam todos os anos a rios e cursos d&#8217;\u00e1gua \u2014 o equivalente a quase um ter\u00e7o de tudo o que \u00e9 consumido no planeta. Os n\u00fameros fazem parte de um estudo liderado pela cientista brasileira Heloisa Ehalt Macedo, da Universidade McGill, no Canad\u00e1, que analisou padr\u00f5es globais de consumo desses medicamentos e validou as proje\u00e7\u00f5es com amostras de esgoto coletadas em 877 locais ao redor do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados desenham um cen\u00e1rio alarmante, diretamente associado ao avan\u00e7o da resist\u00eancia antimicrobiana. \u201cA presen\u00e7a de antibi\u00f3ticos em \u00e1guas superficiais representa riscos aos ecossistemas aqu\u00e1ticos e \u00e0 sa\u00fade humana, devido \u00e0 sua toxicidade e ao estimulo ao surgimento de bact\u00e9rias resistentes\u201d, afirmam os autores do estudo, publicado na revista PNAS Nexus, da Academia Nacional de Ci\u00eancias dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo em doses baixas, esses medicamentos exercem uma press\u00e3o seletiva poderosa sobre bact\u00e9rias ambientais. O efeito \u00e9 semelhante ao que ocorre em hospitais, mas em escala ecol\u00f3gica: sobrevivem aquelas bact\u00e9rias que carregam genes de resist\u00eancia antimicrobiana, capazes de neutralizar o efeito dos antibi\u00f3ticos. Esses genes podem ser transferi dos entre microrganismos, transformando rios urbanos em verdadeiros reservat\u00f3rios ambientais de resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A consequ\u00eancia extrapola o meio ambiente. A resist\u00eancia antimicrobiana \u00e9 considerada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade uma das maiores amea\u00e7as \u00e0 sa\u00fade global neste s\u00e9culo, e os ambientes aqu\u00e1ticos desempenham um papel muito mais ativo nesse processo do que se supunha at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Horm\u00f4nios que mudam o sexo dos peixes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro grupo de compostos com efeitos alarmantes s\u00e3o os horm\u00f4nios sint\u00e9ticos, especialmente aqueles usados em anticoncepcionais. Subst\u00e2ncias como o 17\u03b1-etinilestradiol, mesmo em concentra\u00e7\u00f5es \u00ednfimas, atuam como disruptores end\u00f3crinos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diversos estudos j\u00e1 documentaram a feminiza\u00e7\u00e3o de peixes machos expostos a esses horm\u00f4nios: produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas picas de f\u00eameas, altera\u00e7\u00f5es na propor\u00e7\u00e3o entre machos e f\u00eameas e redu\u00e7\u00e3o da fertilidade.&nbsp; Em alguns casos, popula\u00e7\u00f5es inteiras passam a apresentar dificuldade de reprodu\u00e7\u00e3o, o que pode levar a decl\u00ednios populacionais silenciosos e dif\u00edceis de reverter.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses impactos n\u00e3o se limitam aos peixes. Anf\u00edbios e outros organismos aqu\u00e1ticos tamb\u00e9m sofrem altera\u00e7\u00f5es no desenvolvimento e na reprodu\u00e7\u00e3o, comprometendo o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico de rios e lagos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ansiol\u00edticos e antidepressivos na \u00e1gua<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Medicamentos psiqui\u00e1tricos, como antidepressivos e anticonvulsivantes, tamb\u00e9m est\u00e3o cada vez mais presentes nos ambientes aqu\u00e1ticos. Subst\u00e2ncias como fluoxetina e carbamazepina foram detectadas em rios de diferentes continentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora desenvolvidos para agir no sistema nervoso humano, esses compostos afetam tamb\u00e9m o comportamento de peixes e invertebrados. Animais expostos podem nadar menos, reagir de forma inadequada \u00e0 presen\u00e7a de predadores e apresentar mudan\u00e7as no comportamento reprodutivo. Em longo prazo, esses efeitos sutis reduzem a sobreviv\u00eancia dos indiv\u00edduos e a viabilidade das popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"968\" height=\"561\" src=\"https:\/\/lastravaganza.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lico-remedios-nos-rios3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6873\" srcset=\"https:\/\/lastravaganza.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lico-remedios-nos-rios3.jpg 968w, https:\/\/lastravaganza.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lico-remedios-nos-rios3-300x174.jpg 300w, https:\/\/lastravaganza.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lico-remedios-nos-rios3-768x445.jpg 768w, https:\/\/lastravaganza.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lico-remedios-nos-rios3-550x319.jpg 550w\" sizes=\"(max-width: 968px) 100vw, 968px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O microbioma em risco<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A polui\u00e7\u00e3o farmac\u00eautica produz efeitos que v\u00e3o al\u00e9m dos organismos aqu\u00e1ticos macrosc\u00f3picos, afetando de maneira profunda o microbioma aqu\u00e1tico \u2014 o conjunto altamente diverso de microrganismos associa dos \u00e0 coluna d&#8217;\u00e1gua, aos sedimentos e aos tecidos dos pr\u00f3prios organismos. A exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica a f\u00e1rmacos, particularmente aos antibi\u00f3ticos, induz desequil\u00edbrios na estrutura e na funcionalidade dessas comunidades microbianas, ao reduzir ou eliminar popula\u00e7\u00f5es bacterianas ben\u00e9ficas, essenciais para processos ecos sist\u00eamicos e fisiol\u00f3gicos cr\u00edticos, tais como a digest\u00e3o, a regula\u00e7\u00e3o da resposta imune e a ciclagem biogeoqu\u00edmica de nutrientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas mudan\u00e7as podem tornar organismos aqu\u00e1ticos mais suscet\u00edveis a doen\u00e7as e alterar ciclos biogeoqu\u00edmicos fundamentais, com efeitos em cascata sobre todo o ecossistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que mostram os dados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisas ao redor do mundo j\u00e1 identificaram concentra\u00e7\u00f5es preocupantes de f\u00e1rmacos em rios e lagos. Anbi\u00f3ticos como ciprofloxacina e sulfametoxazol, horm\u00f4nios contraceptivos e psicof\u00e1rmacos como fluoxetina aparecem regularmente em an\u00e1lises ambientais. Em muitos casos, os n\u00edveis detectados s\u00e3o suficientes para causar efeitos comporta mentais, reprodutivos e microbiol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema \u00e9 que esses efeitos raramente s\u00e3o considerados nas normas ambientais. Para v\u00e1rios desses compostos, simplesmente n\u00e3o existem limites regulat\u00f3rios, apesar das evid\u00eancias cient\u00edficas acumuladas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma amea\u00e7a que volta pela torneira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A presen\u00e7a continua de res\u00edduos farmac\u00eauticos na \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o ambiental. Ela representa um risco direto \u00e0 sa\u00fade humana, seja pela exposi\u00e7\u00e3o indireta via \u00e1gua pot\u00e1vel, seja pela acelera\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia antimicrobiana. Trata-se de um problema pico do s\u00e9culo XXI: difuso, global e profundamente conectado aos nossos padr\u00f5es de consumo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Muito al\u00e9m dos hospitais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia de que a resist\u00eancia antimicrobiana nasce apenas em ambientes hospitalares j\u00e1 n\u00e3o se sustenta. Rios urbanos funcionam como grandes reatores evolutivos, onde bact\u00e9rias s\u00e3o continuamente expostas a antibi\u00f3ticos em baixas doses, favorecendo a sele\u00e7\u00e3o dos mais resistentes. Ignorar esse processo \u00e9 um erro estrat\u00e9gico grave das pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade e meio ambiente<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que precisa ser feito<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enfrentar a polui\u00e7\u00e3o farmac\u00eautica exige uma resposta integrada e urgente, que v\u00e1 muito al\u00e9m do debate t\u00e9cnico restrito aos laborat\u00f3rios. \u00c9 fundamental investir na moderniza\u00e7\u00e3o das esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto, incorporando tecnologias capazes de remover res\u00edduos farmac\u00eauticos, al\u00e9m de estabelecer pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes para o descarte correto de medicamentos, hoje ainda amplamente negligenciado. O fortalecimento do monitoramento ambiental cont\u00ednuo e a aproxima\u00e7\u00e3o entre \u00e1reas tradicionalmente separadas \u2014 como ecotoxicologia, micro biologia ambiental e sa\u00fade p\u00fablica \u2014 tamb\u00e9m s\u00e3o passos essenciais para compreender e mitigar o problema em toda a sua complexidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende apenas de governos e institui\u00e7\u00f5es. Cada um de n\u00f3s tem um papel direto nesse processo: evitar o descarte de medicamentos no vaso sanit\u00e1rio ou no lixo comum, utilizar pontos de coleta apropriados, n\u00e3o consumir antibi\u00f3ticos sem prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e apoiar iniciativas que ampliem a educa\u00e7\u00e3o ambiental e sanit\u00e1ria. Pequenas decis\u00f5es cotidianas, quando somadas, reduzem significativamente a carga de f\u00e1rmacos que chega aos rios.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"635\" height=\"695\" src=\"https:\/\/lastravaganza.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lico-remedios-nos-rios4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6874\" srcset=\"https:\/\/lastravaganza.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lico-remedios-nos-rios4.jpg 635w, https:\/\/lastravaganza.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lico-remedios-nos-rios4-274x300.jpg 274w, https:\/\/lastravaganza.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lico-remedios-nos-rios4-550x602.jpg 550w\" sizes=\"(max-width: 635px) 100vw, 635px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados cient\u00edficos s\u00e3o claros: mesmo em quantidades min\u00fasculas, medicamentos alteram a vida aqu\u00e1tica, afetam cadeias ecol\u00f3gicas inteiras e alimentam uma crise global de resist\u00eancia antimicrobiana. Tratar esses impactos como \u201cecologicamente irrelevantes\u201d significa ignorar um dos sinais mais evidentes de que a rela\u00e7\u00e3o entre sociedade, tecnologia e natureza precisa ser urgentemente repensada, sob pena de com prometer tanto a sa\u00fade dos ecossistemas quanto a nossa pr\u00f3pria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"tmnf_excerpt\"><p>A polui\u00e7\u00e3o invis\u00edvel que amea\u00e7a a vida aqu\u00e1tica e a sa\u00fade humana.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":6871,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"single-hero-cover.php","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5],"tags":[89,115],"class_list":["post-6870","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-la-stravaganza","category-questao-ambiental","tag-ecologia","tag-natureza"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lastravaganza.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6870","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lastravaganza.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lastravaganza.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lastravaganza.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lastravaganza.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6870"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/lastravaganza.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6870\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6875,"href":"https:\/\/lastravaganza.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6870\/revisions\/6875"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lastravaganza.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6871"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lastravaganza.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6870"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lastravaganza.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6870"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lastravaganza.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6870"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}