FALA DO LEITOR
Enviado por Hugo Pasinato
Texto belíssimo, repleto de sabedoria!
CAMINHOS DO TEMPO
Transição suave entre o que éramos e o que nos tornamos. Aos 60, você começa a sentir a sutileza do distanciamento.
A sala que antes pulsava com suas ideias agora parece cheia de vozes que não pedem mais sua opinião. Não é uma rejeição, é o ritmo da vida. É quando aprendemos que nossa contribuição não está no presente imediato, mas nos rastros que deixamos nos corações e mentes ao longo do caminho.
Aos 65, você percebe que o mundo corporativo, outrora tão vital, é um fluxo incessante. Ele segue, indiferente ao que você fez ou deixou de fazer. Não é uma derrota, é a libertação. Esse é o momento de olhar para si mesmo, despir-se do ego e vestir a serenidade. Não se trata mais de provar, mas de ensinar, de compartilhar, de ser mentor. A verdadeira realização não é a que se exibe, mas a que inspira.
Aos 70, a sociedade parece lhe esquecer, mas será mesmo?
Talvez seja apenas um convite para reavaliar o que realmente importa. Os jovens não o reconhecerão pelo que você foi, e isso é uma bênção disfarçada: você pode agora ser apenas quem você é. Sem máscaras, sem títulos, apenas a essência.
Os velhos amigos, aqueles que não perguntam “quem você era”, mas “como você está”, tornam-se joias preciosas, diamantes que brilham no crepúsculo da vida.
E então, aos 80 ou 90, é a família que, na sua correria, se afasta um pouco mais.
Mas é aí que a sabedoria nos abraça com força.
Entendemos que amor não é posse; é liberdade.
Seus filhos, seus netos, seguem suas vidas, como você seguiu a sua. A distância física não diminui o afeto, mas ensina que o amor verdadeiro é generoso, não exigente. Quando a Terra finalmente chamar por você, não há motivo para medo. É a última dança de um ciclo natural, o encerramento de um capítulo escrito com suor, lágrimas, risos e memórias. Mas o que fica, o que realmente nunca será eliminado, são as marcas que deixamos nas almas que tocamos.
Portanto, enquanto há fôlego, energia, enquanto o coração bate firme, viva intensamente. Abrace os encontros, ria alto, desfrute os prazeres simples e complexos da vida. Cultive suas amizades como quem cuida de um jardim. Porque, no final, o que resta não são as conquistas, nem os títulos, nem os aplausos. O que resta são os laços, os momentos partilhados, a luz que espalhamos.
Seja luz, seja presença, e você será eterno. Dedico a todos que entendem que o tempo não apaga, mas apenas transforma!!!
N. Palma – Comentário pessoal
Grande amigo Pasinato. Eu sou exótico com 88 voltas em torno do sol. Não contesto o texto, mas não o vivo.
Eu devo ser exótico não invasor, pois me sinto sempre aos 30 anos de idade, ressalvando algumas imposições físicas pelo tempo. Vivo entre os jovens, compartilho tudo com eles e sou bem aceito. Confesso que os idosos não atualizados, que são maioria, me cansam sobe maneira. Vivem um passado existencial, não se dão conta do presente e o futuro sempre driblado com medicamentos, médicos e imaginando-se entre os finados. Para mim seria um masoquismo existencial a caminha do fim. O fim existe, mas devo ignorá-lo até se apresentar o derradeiro momento, mas aceitá-lo e acompanhá-lo sub protesto. Acredito que nada é melhor que a existência na terra, simplesmente não sabemos aproveitá-la. Eu vivo até o último momento e aproveitando o máximo de minha saúde para ser feliz, onde incluo a amizade com as “Loucas Lindas”. Respeito o que os outros mortais pensam, mesmo imaginarem que vivo uma paranoia, um abstrato cerebral, uma vereda tortuosa, mas tudo será melhor que a inutilidade sedentária conflitando o entorno e a todos.
Apenas opinião de quem não morre por antecedência. Desculpem!







